sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Psicologia não é auto-ajuda!
Autoajuda
Há coisas na vida que têm pouquíssima utilidade, ou, nenhuma. E há coisas na vida, que de tão inúteis, atrapalham a vida das pessoas. Mas, ok, tem gente que gosta de se enganar. Não faço alusão aqui às coisas fúteis da vida, nem aos objetos materiais, porque essas coisas podem ser de imensa utilidade. Aliás, as melhores coisas da vida são desnecessárias. Até o amor desnecessário é melhor. (Bem mais gostoso amar alguém de quem você pode prescindir, do que amar alguém de quem você precisa para respirar, não é?) Mas eu refiro-me às autoajudas. Tais como os textinhos da Ana Maria Braga, aos finais dos programas, as historinhas de rádio dizendo da beleza da vida, aos e-mails com historinhas em Power Point, aos livros de autoajuda. Mas, principalmente, me refiro às pessoas que são autoajudas ambulantes. Ou, acreditam ser. Gente que carrega um manual de conselhos no bolso, e adora recitá-los, tais como se fossem poesias. Conselhos, em geral, são bestas.
Por conselho besta eu entendo que é aquilo que todo mundo sabe o que é que deve ser feito, intelectualmente. Mas se não faz, é porque saber disso não é o suficiente. É. Saber nem sempre é o suficiente. As pessoas dizem aquele blábláblá de razão X emoção, cérebro X coração. Não sei se é audácia minha dizer que isso é balela, ou se é porque tenho algum juízo, mas parece-me que o conflito não se trata de uma briga justa entre dois órgãos do corpo. Mas se trata de quando o saber se torna insuficiente. De quando o intelecto não explica. Trata-se da falta de sentido. Trata-se do excesso de sentir. E ignorar isso é o que torna os conselhos tão medíocres.
Quem pede conselho, geralmente já decidiu o que fazer, mas acha que deveria fazer a coisa que não foi escolhida. Aí, pede uma dose de autoajuda – a uma pessoa, a um livro - na tentativa de que alguém lhe convença do contrário. E se alguém tira o manual de conselhos do bolso e convence o fulano a fazer o que ele acha que deveria fazer, mas não gostaria... Vai dar encrenca. Pode apostar. E a responsabilidade é do dono do manual. Porque autoajuda é dizer para alguém tudo o que a pessoa já sabe, num tom de quem sabe mais.
Enquanto o saber está no campo intelectual, muito bem embasado, sustentado e explicado, o desejar está em cada célula do corpo, em cada pedaço de alma, não explicado, não comprovado. E a gente tende a se angustiar diante do não-sentido. Ainda que ele esteja inundado de sentires...
Sugiro, então, que substituam-se as doses de autoajudas com pedras de conselhos, por porções de escolhas temperadas com responsabilidades. É bem verdade que escolher é uma coisa dificílima. Porque escolher é responsabilizar a si por seu próprio desejo. E desejo é coisa perigosa de se enxergar. Porque diante de um desejo reconhecido, não se pode recuar.
Ana Suy Sesarino
http://significantess.blogspot.com/2011/04/autoajuda.html
E lembre-se: Psicologia não é auto-ajuda! Cuidado com fórmulas prontas. A Psicologia sempre vai levar em conta a individualidade, as singularidades, as possibilidades, potencialidades e limites de cada um.
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